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Avaliação do banco abaixo do preço do imóvel: o que acontece com a entrada?

Se o banco avaliar o imóvel abaixo do preço negociado, o financiamento diminui e a entrada precisa aumentar. Veja como calcular essa diferença corretamente.

Caio Rauber
Caio Rauber·
Casal analisando documentos de financiamento após avaliação do banco abaixo do preço do imóvel
Quando o laudo do banco fica abaixo do preço, o cálculo da nova entrada exige atenção

Se o banco avaliar o imóvel abaixo do preço negociado, o valor financiável pode diminuir, e a parte que precisa ser paga fora do financiamento aumenta. A conta correta subtrai o financiamento efetivamente aprovado do preço que será pago ao vendedor. Por isso, o aumento da entrada não é necessariamente igual à diferença entre o preço e o laudo.

Esse cenário costuma surgir depois que o comprador já fez simulações. O problema é que o limite de crédito do comprador e o valor que o banco aceita financiar naquele imóvel são coisas diferentes, e a conta precisa ser refeita antes de qualquer decisão.

O banco financia pelo preço de compra ou pela avaliação?

Preço negociado e avaliação bancária nem sempre coincidem. O preço é o valor combinado entre comprador e vendedor. A avaliação é feita dentro do processo de financiamento e também serve para analisar o imóvel como garantia da operação.

Na CAIXA, o valor do imóvel considerado na operação é o menor entre o preço negociado e a avaliação. O Santander também informa que o percentual de financiamento considera o menor entre o valor de compra e venda e o valor avaliado. As condições concretas, inclusive a cota financiável, dependem da instituição, da modalidade e da análise de cada operação. Percentuais como 70%, 80% ou 90% não são universais.

Na prática, uma aprovação de crédito não garante que todo o limite será usado em qualquer imóvel. Imagine um comprador com capacidade para financiar R$ 400 mil, mas cujo imóvel escolhido, pela avaliação e pelas condições da linha, comporte financiamento máximo de R$ 360 mil. O limite pessoal existe, mas aquela operação ficará restrita a R$ 360 mil.

Como calcular a entrada quando a avaliação fica abaixo

A conta mais útil para o comprador é direta:

Valor a completar fora do financiamento = preço negociado − financiamento efetivo

Esse valor é a entrada da operação. Ele pode ser composto por dinheiro próprio e, quando a operação permitir, por FGTS ou outros recursos admitidos.

Considere um exemplo hipotético, sem uso de FGTS, em que o financiamento possa chegar a 80% da base aceita pelo banco. O imóvel custa R$ 500.000, mas foi avaliado em R$ 450.000:

  • 80% de R$ 450.000 = R$ 360.000 de financiamento
  • R$ 500.000 − R$ 360.000 = R$ 140.000 a completar fora do financiamento
ItemAvaliação igual ao preçoAvaliação abaixo
Preço negociadoR$ 500.000R$ 500.000
Avaliação bancáriaR$ 500.000R$ 450.000
Cota hipotética80%80%
FinanciamentoR$ 400.000R$ 360.000
Valor a completar fora do financiamentoR$ 100.000R$ 140.000

Aqui está o ponto que muitas simulações deixam passar. O laudo ficou R$ 50 mil abaixo do preço, mas a entrada passou de R$ 100 mil para R$ 140 mil. O aumento foi de R$ 40 mil, e não de R$ 50 mil.

Os R$ 140 mil se dividem assim:

  • R$ 50 mil correspondem à parte do preço que ficou acima da avaliação;
  • R$ 90 mil correspondem aos 20% da avaliação que não foram financiados.

Por isso, dizer simplesmente que "a diferença do laudo vira entrada" pode levar a uma conta errada.

FGTS pode cobrir a diferença?

O FGTS pode participar da aquisição quando o comprador e a operação atendem às regras aplicáveis, mas não resolve automaticamente uma avaliação abaixo do preço.

Pelas regras oficiais do FGTS, o valor utilizado do fundo, somado ao financiamento, fica limitado ao menor entre o preço de compra e venda e o valor de avaliação do imóvel.

No exemplo anterior, esse teto é de R$ 450 mil. Com R$ 360 mil financiados, o FGTS poderia cobrir no máximo R$ 90 mil, ainda sujeito ao saldo disponível e às demais condições. Já os R$ 50 mil que ficaram acima da avaliação não podem ser cobertos pela combinação de financiamento e FGTS.

O que fazer se você não tiver a entrada adicional?

O primeiro passo é confirmar a conta final com a instituição financeira: qual será o financiamento efetivo, quais recursos poderão compor a operação e quanto precisará sair, de fato, do caixa do comprador.

Se a diferença inviabilizar a compra, algumas alternativas podem ser analisadas:

  1. Renegociar o preço com o vendedor. O laudo pode servir como argumento, mas não obriga o proprietário a reduzir o valor. Qualquer mudança depende de acordo entre as partes.
  2. Consultar a instituição sobre revisão ou esclarecimento da avaliação. Os procedimentos variam entre bancos, e não há garantia de aumento do laudo.
  3. Avaliar outra instituição financeira. Uma nova análise pode resultar em condições ou avaliação diferentes, mas também em resultado semelhante ou inferior.
  4. Rever a viabilidade da compra. Aumentar demais o aporte inicial pode consumir a reserva necessária para custos de aquisição, mudança, reforma ou imprevistos.

Um laudo abaixo não prova, sozinho, que o imóvel está caro: a avaliação bancária tem finalidade ligada à operação e à garantia.

E se já houver sinal ou compromisso de compra?

Se o comprador já pagou sinal ou assinou um compromisso antes da avaliação, a resposta não é automática. Um laudo abaixo do esperado pode reduzir o financiamento sem representar reprovação de crédito, e o efeito sobre valores já pagos depende do que foi acordado entre as partes.

Podem ser relevantes cláusulas sobre:

  • aprovação do financiamento;
  • valor mínimo a ser financiado;
  • avaliação do imóvel;
  • condições para desistência;
  • consequências do não prosseguimento da compra.

Por isso, não é seguro presumir que o sinal será devolvido, nem que será perdido. O tema é aprofundado no artigo sobre sinal e reserva de imóvel: quando pagar e o que exigir.

Conclusão

Quando a avaliação fica abaixo do preço negociado, a pergunta principal não é "quanto faltou no laudo?", e sim quanto o banco efetivamente financiará. É esse número que mostra quanto falta cobrir fora do crédito e quanto disso pode vir do FGTS ou terá de sair do próprio caixa.

Só então faz sentido decidir entre aumentar a entrada, renegociar o preço, buscar outra alternativa de crédito ou reconsiderar a compra.

Perguntas frequentes

A avaliação abaixo sempre aumenta a entrada?

Se o preço permanecer o mesmo e a avaliação menor reduzir o financiamento efetivo, sim: o valor a completar fora do financiamento aumenta. O impacto exato depende da cota e das condições da operação.

O vendedor é obrigado a baixar o preço?

Não. A avaliação bancária não altera automaticamente o preço combinado. Ela pode servir como argumento para renegociação, mas a mudança depende de acordo entre as partes.

Posso usar FGTS para cobrir a diferença?

O FGTS pode compor a operação quando as regras forem atendidas, mas financiamento e FGTS, somados, não podem superar o menor valor entre o preço de compra e a avaliação. A parte do preço que ficou acima do laudo precisa ser coberta com outros recursos.

Se a avaliação vier acima do preço, o banco financia mais?

Não necessariamente. Na CAIXA e no Santander, o menor valor entre preço de compra e avaliação continua sendo a referência da operação. Uma avaliação superior ao preço não se converte em crédito adicional.

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