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CET ou taxa de juros: o que comparar em um financiamento imobiliário?

Entenda a diferença entre CET e taxa de juros e veja o que comparar entre propostas de financiamento imobiliário além da taxa anunciada.

Caio Rauber
Caio Rauber·
Pessoa analisando proposta de financiamento imobiliário com documentos e calculadora sobre mesa

Resposta rápida: para comparar propostas semelhantes, o CET é mais completo que a taxa de juros, porque reúne juros, tarifas, seguros, tributos e outros encargos da operação. Mas ele não deve ser analisado sozinho: a variação futura de indexadores como TR ou IPCA, quando previstos no contrato, não é incorporada ao CET como se já fosse conhecida. Por isso, também é preciso comparar prazo, sistema de amortização, valor financiado e evolução da dívida.

Um banco oferece a menor taxa de juros. Outro apresenta o menor CET. Qual proposta é realmente melhor?

A resposta não está em uma única coluna da simulação. Taxa de juros e CET medem coisas diferentes, e uma comparação correta precisa colocar as propostas na mesma régua.

Qual é a diferença entre taxa de juros e CET?

A taxa de juros representa o custo financeiro cobrado pelo dinheiro emprestado.

Já o Custo Efetivo Total, ou CET, reúne de forma consolidada os encargos e as despesas da operação de crédito, conforme as regras da Resolução CMN nº 4.881/2020, publicada pelo Banco Central.

Em outras palavras:

  • taxa de juros: mostra o custo do crédito em si;
  • CET: incorpora a taxa de juros e os demais custos vinculados à operação.

Por isso, uma proposta pode anunciar uma taxa de juros menor e, ainda assim, apresentar um CET maior.

Também vale conferir se as taxas estão na mesma base. Taxa nominal e taxa efetiva não devem ser tratadas como números equivalentes sem verificar como foram apresentadas. Na comparação entre bancos, prefira trabalhar com a taxa efetiva anual e com o CET anual informados na proposta.

Para entender o processo como um todo, veja como funciona o financiamento imobiliário.

O que entra no CET do financiamento imobiliário?

A regulamentação determina que o CET considere, quando aplicáveis, componentes como:

  • juros;
  • tarifas;
  • tributos;
  • seguros;
  • outras despesas vinculadas à operação.

Isso ajuda a explicar por que, no financiamento habitacional, o CET costuma aparecer acima da taxa de juros: seguros obrigatórios, tarifas e outros encargos podem elevar o custo da operação mesmo quando dois bancos anunciam taxas semelhantes.

Na CAIXA, por exemplo, a estrutura de determinados financiamentos habitacionais pode envolver, além de amortização e juros, seguros como MIP e DFI e tarifas previstas no produto.

Perguntar apenas "qual é a taxa de juros?", portanto, não revela toda a diferença entre duas propostas. Uma pergunta mais útil é:

Qual é o CET desta operação e quais itens compõem esse cálculo?

A instituição deve informar o CET antes da contratação e apresentar o demonstrativo correspondente, com a discriminação dos componentes considerados. É esse documento que mostra de onde vem a diferença entre a taxa anunciada e o custo consolidado da proposta.

Também é importante não confundir o CET do financiamento com todos os custos da compra do imóvel. Despesas como ITBI, registro e outros custos da aquisição têm tratamento próprio e não devem ser automaticamente interpretadas como componentes do CET. Para essa análise, veja os custos envolvidos na compra de um imóvel.

O CET inclui TR ou IPCA?

Este é um dos pontos mais importantes para interpretar corretamente o CET de um financiamento imobiliário.

O art. 5º da Resolução CMN nº 4.881/2020 trata das operações que usam referenciais cujo valor se altera ao longo do prazo, como taxas flutuantes ou índices de preços. Esses parâmetros não entram no cálculo do CET — ou seja, sua variação futura não é projetada como se já fosse conhecida — e devem ser informados separadamente no demonstrativo.

Na prática, em um contrato corrigido pela TR, o CET não deve ser lido como uma previsão de tudo o que será pago ao longo de décadas.

O Santander, por exemplo, divulga exemplos de financiamento com taxa de juros + TR e informa o CET separadamente, esclarecendo que a atualização futura pela TR não está incorporada ao cálculo. O mesmo cuidado vale para outros indexadores variáveis, como o IPCA.

Por isso, não é correto dizer que o CET inclui absolutamente tudo o que você pagará. Mais preciso é:

O CET consolida os custos considerados pela regulamentação na data do cálculo, mas a evolução futura de indexadores variáveis precisa ser analisada separadamente.

Essa diferença pesa especialmente em contratos longos, porque a forma de atualização do saldo devedor afeta a evolução da dívida ao longo do tempo.

Menor CET significa sempre melhor financiamento?

Se duas propostas forem realmente equivalentes, o CET é uma das melhores referências para comparar o custo da operação. Imagine duas propostas com:

  • mesmo valor financiado;
  • mesmo prazo;
  • mesmo indexador;
  • mesmo sistema de amortização;
  • condições contratuais semelhantes.

Nesse cenário, um CET menor tende a indicar uma operação com custo consolidado menor.

O problema aparece quando as propostas não são equivalentes. Uma delas pode ter:

  • prazo maior;
  • prestação inicial menor;
  • sistema de amortização diferente;
  • outro indexador;
  • custos de seguro distintos.

Nesse caso, escolher simplesmente o menor CET pode esconder diferenças relevantes. Também não se deve confundir menor CET com menor desembolso total em qualquer cenário: prazo, amortização e indexadores podem alterar bastante o comportamento do contrato.

Antes de comparar o CET, portanto, a primeira pergunta é: estou comparando duas operações realmente parecidas? Se a resposta for não, normalize primeiro as condições principais.

Como comparar duas propostas de financiamento na prática?

Com as condições principais alinhadas, coloque os dados das simulações lado a lado:

O que compararO que mostra
Valor financiadoQuanto efetivamente será emprestado
PrazoPor quanto tempo a dívida permanecerá
Taxa efetiva anualCusto financeiro do crédito
CETCusto consolidado da operação
IndexadorComo o saldo pode ser atualizado
Sistema de amortizaçãoComo juros e principal serão distribuídos
Prestação inicialImpacto imediato no orçamento
Saldo devedor ao longo do tempoComo a dívida evolui

O sistema de amortização merece atenção especial, porque dois financiamentos com taxas semelhantes podem ter trajetórias bem diferentes de prestação e saldo. Para aprofundar essa parte, veja a diferença entre SAC e Price no financiamento.

Além da tabela, peça o demonstrativo do CET e confira quais seguros, tarifas e condições adicionais aparecem na proposta. Quando os CETs forem muito próximos, esses detalhes podem ser decisivos.

A regra prática é simples: não escolha um financiamento olhando uma única coluna. A taxa de juros importa e o CET é mais completo, mas a melhor decisão vem da leitura conjunta da estrutura da operação.

Perguntas frequentes

Por que o CET é maior que a taxa de juros?

Porque o CET pode incorporar outros encargos e despesas além dos juros, como seguros, tarifas e tributos vinculados à operação.

O banco é obrigado a informar o CET?

Sim. A regulamentação determina que o CET seja informado antes da contratação e que o consumidor tenha acesso ao demonstrativo do cálculo.

TR entra no CET?

Não da forma como muitos imaginam. Quando a TR é utilizada como referencial variável do contrato, sua variação futura não é incorporada ao cálculo do CET como se fosse conhecida antecipadamente. Ela deve ser informada separadamente.

CET menor sempre é melhor?

É uma excelente referência quando as propostas têm estrutura comparável. Se prazo, indexador, sistema de amortização ou valor financiado forem diferentes, esses elementos também precisam ser analisados.

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